Dadaísmo:
movimento artístico que proclamava o caos como estética, e o não-significado como
não-herança simbólica... e quando tudo
já tinha desmoronado, tudo parecia estar morto... olha lá! Lá vem Dada... é de
lá dada... é de lá.
Chego
à conclusão que adentramos em uma sociedade dadaísta, os muros simbólicos que
nos restavam como arma, como segurança, equilíbrio e afeto... desmoronam-se a
olhos vistos, estes que a terra não há de comê-los, pois se camelos fossem: não
restaria visão...
E
onde o significante vira pasto, o sig-nific... sig-ni... sg| Caiu... tudo cai,
caiu... balão caiu, balão. Tudo morre nestas terras estranhas de Dada... o ser
se desinsignifica... se torce-destorce numa diz-torção forçada, enérgica e tonturante/torturante,
e quem paga a conta? O último que paga já morreu... disse a letra de uma canção:
quem foi? Quem é o descantô?
É
o desencanto com a vida, com o sentido que se tinha dela, com o mundo, o que
nos abrigava com os pequenos afetos ao redor (nosso pequeno mundo), ou com o
Outro: grandão, gigante, eterno, colosso... desigual. Sem mais sonhos aqui, só
dadacaos, dadaritmo, dadacrédito... da-da.
É
pelos apelos de Dada que segue essa sinto-nímia desvairada, desvirtuada,
desvitalizada, des-mem-bra-da...da. E onde está o rei, o conserto? Concerto? Só
de Dalí!
É
a capivara que é eleita símbolo nacional, mundial, geral... a pobre da
capivara, que vivia sua vida pacata numa boa... vira símbolo de Dada! A rainha
nacional de festa alguma do non-sense... É símbolo de produto, de cidade, de
nação, de gente descapivarada... é cafeteria japonesa com capivara pulando na
mesa, cagando no chão... é transfigurada em pet de gente chique chinesa, com
coleiras douradas, de suntuosa aquisição (aqui é rei capivara oxe...).
Bom,
é dada... e agora? Quem nos livra da desgraça metonímica de capivaras transmorsas
que deitam na praia, e rolam pelo chão? Aonde há neve, fogo não há... só
discórdia dele, ou delx...
De-le-te.
Jorge
C. Neves
(não
dadaísta! Sim: surrealista)
24/06/25

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