terça-feira, 24 de junho de 2025

Viva Dada

 

                Dadaísmo: movimento artístico que proclamava o caos como estética, e o não-significado como não-herança simbólica...  e quando tudo já tinha desmoronado, tudo parecia estar morto... olha lá! Lá vem Dada... é de lá dada... é de lá.

                Chego à conclusão que adentramos em uma sociedade dadaísta, os muros simbólicos que nos restavam como arma, como segurança, equilíbrio e afeto... desmoronam-se a olhos vistos, estes que a terra não há de comê-los, pois se camelos fossem: não restaria visão...

                E onde o significante vira pasto, o sig-nific... sig-ni... sg| Caiu... tudo cai, caiu... balão caiu, balão. Tudo morre nestas terras estranhas de Dada... o ser se desinsignifica... se torce-destorce numa diz-torção forçada, enérgica e tonturante/torturante, e quem paga a conta? O último que paga já morreu... disse a letra de uma canção: quem foi? Quem é o descantô?

                É o desencanto com a vida, com o sentido que se tinha dela, com o mundo, o que nos abrigava com os pequenos afetos ao redor (nosso pequeno mundo), ou com o Outro: grandão, gigante, eterno, colosso... desigual. Sem mais sonhos aqui, só dadacaos, dadaritmo, dadacrédito... da-da.

                É pelos apelos de Dada que segue essa sinto-nímia desvairada, desvirtuada, desvitalizada, des-mem-bra-da...da. E onde está o rei, o conserto? Concerto? Só de Dalí!

                É a capivara que é eleita símbolo nacional, mundial, geral... a pobre da capivara, que vivia sua vida pacata numa boa... vira símbolo de Dada! A rainha nacional de festa alguma do non-sense... É símbolo de produto, de cidade, de nação, de gente descapivarada... é cafeteria japonesa com capivara pulando na mesa, cagando no chão... é transfigurada em pet de gente chique chinesa, com coleiras douradas, de suntuosa aquisição (aqui é rei capivara oxe...).

                Bom, é dada... e agora? Quem nos livra da desgraça metonímica de capivaras transmorsas que deitam na praia, e rolam pelo chão? Aonde há neve, fogo não há... só discórdia dele, ou delx...

 De-le-te.

 

Jorge C. Neves

(não dadaísta! Sim: surrealista)

24/06/25


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