terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Não Tenho Quê


 Sabe,

Esta é uma brincadeira daquelas em que alguém pergunta:

Não tenho que fazer o quê,

Ou não preciso...

E alguém a responde:

  • “Não tenho que agradar a todos!”

Isto não existe, ninguém está aqui para isto, seria masoquismo e sadismo de sua parte,

  • “Não tenho que se dar bem com todo mundo!”

Isto também não existe, tanto gregos e troianos já o provaram, e o próprio Cristo o demonstrou...

Faça e cedo ou tarde descobrirá que só está desagradando a si mesmo, sendo foco de desrespeito e exemplo de desamor,

  • “Não tenho que ser sempre agradável!”

Ninguém sempre é! Todo mundo tem seus próprios problemas e desilusões, todo mundo sofre às vezes e está tudo bem, a vida sempre continua, você sorrindo sempre ou não.

  • “Não tenho que ser bonzinho!”

Isso ninguém é! Todos temos medos e cicatrizes, dores atrozes do passado, problemas a serem resolvidos, partos a serem reparados etc. Ninguém é “anjo de candura”, isto também não existe,

  • “Não tenho que me preocupar com a opinião alheia”

Não tem mesmo, mais um ato sadomasoquista em sua lista de punições eternas por culpas irreparáveis da sua cabeça,

  • “Não tenho que sofrer!”

Realmente não tem, mas às vezes o sofrimento aparece e também está tudo bem, todos sofremos às vezes, ninguém morre pelo sofrimento, mas das feridas não superadas,

Quando passado com resiliência e vontade pode ser transformado em mais valia, em amor profundo, em compreensão,

Só não me venha com o papo que DEUS gosta, porque ELE não gosta, é só você que não consegue se perdoar,

  • “Não tenho que ser vítima de ninguém!”

E nem de nada! A Vida já tem seus próprios recursos e processos, não necessita que você a piore para demonstrar “respeito”... “submissão”... “fraqueza” “etc”... Coisas que você cria com medo de assumir a responsabilidade de si mesmo e da tal da Vida,

  • “Não tenho que ficar me lamuriando!”

Não tem mesmo! Mas às vezes acontece, está tudo bem, coloque o seu choro para fora, despeje suas lágrimas no chão, chore as suas “pitangas” perdidas, levante a cabeça e bola pra frente, o mundo não para por causa do seu lamento e o Sol continua brilhando para todos, se ilumine!

  • “Não tenho que ler estas palavras e ouvir a minha consciência!”

Não tem mesmo, mas já que chegou até aqui é porque algo tocou aí dentro, algo ressoou com a sua própria história, algo se mexeu,

  • “Não tenho quê...

O restante é seu, todo e inteiro seu, tanta coisa para ser colocada para fora, para ser respondida e analisada, tanta coisa...

O restante de toda a Vida, a sua Vida é inteiramente sua,

Usufrua

E Seja

Com Amor

A VIDA.


18:30

Jorge C. Neves

29/12/2020

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

“Dr. Jekyll, Dr. Jekyll... Onde está sua máscara Dr. Jekyll?... Aonde o senhor vai?"


 

Dr. Jekyll é um personagem de um conto, uma história publicada e que por aqui ficou conhecida como “O Médico e o Monstro”. Que relata essa dicotomia do personagem social, e do personagem real, de Luz e Sombras, e como tudo que é relegado à escuridão e ao abandono, um dia sai das catacumbas e vem para fora, vem para a Luz trazendo consigo toda a dor, desespero e agonia... Não é assim Dr. Jekyll?

Há um desenho antigo do Pernalonga, em que este vai morar junto do tal Dr. Jekyll, que ao tomar sua poção transforma-se em um monstro, em uma besta assassina. No final do desenho, o próprio Pernalonga toma da poção e transforma-se no monstro, sem nem mesmo perceber. É assim Dr. Jekyll?

Luz e Sombras, este jogo dualístico que foi relegado à uma separação forçada das duas forças representadas em cada um de nós, nas árvores, nos bichos, nos insetos, em tudo que existe, em tudo que há. As Sombras agem e respiram na escuridão abaixo de nossos pés, no que chamo de Terra, ali estão as nossas Raízes, nossas histórias passadas, momentos e memórias, dores e sabores dos pretéritos vividos. O Céu, o que está acima de nós, de nossas cabeças, a copa da árvore que recebe a luz solar ou lunar, de onde saem os galhos, as folhas, as flores e os frutos, aquilo que a gente olha, que a gente vê. De onde se extrai toda a energia para a geração da clorofila, este fluído de energia vital que desce até as Raízes, e do solo sobe até à copa, dos galhos às folhas, aos frutos, e assim sucessivamente em um giro, uma roda infinita de cura, reconhecimento e transição.

Este círculo, ou circuito da copa à raiz, e das raízes à copa, está representado também pelo Tao, pelo símbolo do Yin & Yang, por esta interação perfeita, que nada tem a ver com o reconhecimento da maldade, ou a liberdade de ser um idiota, imbecil, canalha etc.

As Sombras devem ser olhadas, acolhidas, reconhecidas, precisam ser amadas de verdade, elas necessitam de abraço, de reconhecimento por existirem e ali estarem. É preciso olhar para baixo, abaixo de seus pés, e reconhecer toda a vida ali presente: as Raízes, as covas, as sementes, as minhocas, as formigas, o tatu, toda a fauna e flora que sobrevive aí embaixo de teus próprios pés, a Vida que flui aí dentro, no escuro e fora dos olhos de quem não vê. É as “Raízes” que sustentam a Árvore em pé, são elas que fazem este trabalho de apoio, sustentação, força e coragem, são elas que erguem o falecido e que o sustentam em uma nova forma, em uma nova vida, em uma nova história. As Raízes abaixo de seus pés...

Mas quando as Sombras não são vistas, são desprezadas, amaldiçoadas, vistas como o pecado e este tal de “satanás”... Então elas se erguem, se agitam, tomam vida própria e consomem seu hospedeiro, tornam-se donas do próprio corpo, da própria mente, e comandam a trajetória deste Ser, como desejam e querem, transformam o indivíduo em marionete e joguete e o destroem: sua vida, sua alma, e de todos aqueles que estão ao redor. Como se Dr.Jekyll saísse de seu armário de contenção e reprimendas, como fera absoluta, como um outro personagem de outra história, o Frankstein que mata o seu criador. Quando o criador não se reconhece na própria criatura, e acha que uma coisa está dissociada da outra, a criatura o destrói e toma conta. “Não é assim Frank, ou Jekyll?!”

Há que se conhecer de verdade e de maneira absoluta, há de se erguer da tumba do esquecimento, há de se ver por completo, face, corpo, e imagem, no Espelho das Almas que a Vida nos oferece, é preciso reconhecer-se! E se ver, se olhar, e se admirar da paisagem aí dentro, seja ela feia, velha, fétida, escura, negligenciada pela Vida ou pelo Tempo, nada disso importa, é preciso se Amar de Verdade, é necessário Coragem... “Coragem Dr. Jekyll, coragem, você não é o Monstro que imagina, coragem, olhe-se aqui dentro e reconheça a sua face”. As nossas faces que revelam o que há de melhor e de pior em nós, e estas imagem feias e distorcidas que precisam ser amadas, acariciadas e celebradas, para que assim, e só assim, venha a Paz, a tal da Paz.

Olhe-se no Espelho, se veja de forma nua e distorcida, se for assim, mas saiba apreciar a imperfeição que ali se mostra, que ali se apresenta, esta pode ser a sua melhor face, aquilo que você não reconhece em si mesmo pode ser o tal tesouro, repetindo: pode ser a sua melhor face. “Jekyll, olhe-se no espelho!”.

Só assim, o Monstro, a Fera que domina o Dr. Jekyll será domada, adestrada, transformada e realizada em Ser, um só Ser, o Todo pleno e transfigurado de aceitação, realização, percepção, autodomínio e Realeza.

E o tal Dia de Fúria, assim como o filme, não mais o atormentará e nem o perseguirá como fez com o Pernalonga, como fez com o Dr. Jekyll, como fez com William Foster (Michael Douglas – Um Dia de Fúria) e como poderá fazer com você. Perdoe-se, ame, se reconheça e liberte-se! “Vai Dr. Jekyll, vai!...”.

“Dr. Jekyll um dia olhou sua pior face,

aquela dos abismos,

aquela que ele escondia e negava...

E neste dia,

ele se iluminou.”


Jorge C. Neves

15/12/2020

Um Conto de Desespero

  Me chamam de Desespero, você precisa de mim, me ama, me chama e me clama, Mas eu poderia não existir assim, você pede por minha angústia...