Símbolo do pastor que guia as suas ovelhas, apartando-as de todo mal, de toda e qualquer besta que possa devorar o rebanho e afastá-las de seu dono; símbolo também de poder, daquele que assume uma incumbência com os “céus” - o Divino, e faz a ponte entre os mundos superiores e inferiores, trazendo esta “iluminação” por onde quer que vá.
Desde os primórdios de nossa civilização, o cajado já serve de apoio e orientação para os viajantes, os perdidos, os doentes, cada um tem um motivo para se apoiar nele e necessitar de uma outra perna, de um membro adicional que serve de um apoio seguro e força adicional. Os pastores de cabras o utilizavam como guia para seu rebanho e também um certo apoio espiritual para suas distantes caminhadas por lugares solitários e ermos.
Os sacerdotes, magos, bruxos e feiticeiros, utilizavam-no como uma ponte entre o mundo superior, o céu dos espíritos, e o mundo inferior, lar das raízes, dos ancestrais, e das esferas terrenas, sendo ponte sustentavam o descenso desta energia do Céu à Terra, e se alimentavam da força que brotava desta união ente os polos, entre os mundos. Usado também para direcionar o campo, para impulsionar e trazer esta essência sagrada no aqui e agora, no plano terrestre.
Como símbolo de guia, de poder investido, como Moisés e seu cajado que propiciava milagres e desgraças, alterando a realidade ali presente. É desta força imaterial ali investida, da essência espiritual presente em que o sacerdote (chame como quiser), se incumbe de uma responsabilidade que visa ser maior do que o ser humano conseguiria suportar, assim o cajado passa a ser para outras pessoas sinal de que aquele vê, pode levar em segurança outros para algum lugar que seja melhor, afastando-os dos perigos que rondam a paisagem, dos lobos em pele de cordeiro, ou das feras que não tem receio de se esconder e partem logo para o ataque. Então, imbuído desta força celestial, o cajado pode ser este olho que traz o respeito e a sintonia com o Ser Maior que habita ali, dentro de cada um de nós, no lar sagrado do coração do adepto que se abre a uma força que sente, mas desconhece; que respeita, mas permite ser levado a uma comunhão mais profunda que a morte.
Para aqueles que sentem o chamado para se libertar das raízes do passado, dos traumas acumulados, das dores psíquicas que atormentam quando o vazio se faz presente, e a alma ausente, uma prece:
“Que aqueles que sentem no íntimo, no cerne do coração, que se cansaram de toda auto opressão, que sentem um cansaço, um vazio, uma eterna solidão, que possam se liberar de toda dor investida, de todo aperto no peito, de toda saudade que não pode calar, que sejam bem recebidos agora em seu poder, em sua totalidade, em seu amor – amor-próprio, autorrespeito, sintonia com o seu ser interior, que possam amar de verdade quem realmente são, a essência que brota no silêncio do ser, e que se libertem! Se libertem de verdade, de corpo, de alma e espírito, de coração aberto às intempéries do destino, às armadilhas da vida, aos percalços do caminho, que possam se levantar das pedras e pedregulhos do passado e que digam assim: Eu vim, vi e venci! E estou aqui, pronto.”
Que assim seja, que cada alma possa ver a ponta do cajado do Criador(a), que possa ser guiado por terra firme, sem pestanejar, e que celebre cada vitória de sua vida, sem medo, sem devaneio, sem dor, mas com eterno e profundo amor, em cada fibra de seu ser.
E assim já é:
O Criador.
Jorge C. Neves
04/07/2023
