sexta-feira, 20 de junho de 2025

O Broto

 



“É” os olhos que enxergam a Vida…

 Ou a Morte que nos rege-segue e nos impede de olhar o imperecível que habita em 🪢 nós…

É pelos olhos da decência que me encontro… 
Ou é pelo desencontro com os olhos que já se foram: já morreu…
Dizem que: “vi com esses olhos que a terra há de comer…” -
Mas há terra que nos come? 
Essa terra-mãe há de ter boca, saliva, bílis, estômago, ácido, refluxo? 
É essa mãe devoradora que nos come o imperecível: o cadáver, os restos e as sobras? Até o osso, até o pó, até virar húmus de minhoca… 
Pois, se assim é… então, que essa mãe me vomite! 
Estabeleço minha vingança como broto! 
Sim, broto! 
Aquele que vinga, se enraíza nas profundezas dessa corpo e brota! 
Brota pelo umbigo desse corpo, para a luz, para o sol e para o Céu…
Como um eterno ciclo de idas e vindas, passagens e retornos, diga ao céu: 
Que eu broto.

Jorge C. Neves
20/06/25

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