sexta-feira, 25 de outubro de 2024

Largue tudo, e siga-me...

 

Polaridade e escolhas é algo que já existe desde há muito tempo, pois entre escolher ser fariseu ou saduceu, ou permanecer polarizado dentre essa classe de víboras, há o alento de escolher-se ser! De “largue tudo e siga-me...”.


As pessoas desejam se ver na face de um deus, falso que seja, mas narcísico em sua face mal lavada, suja e desbotada... É preciso desnudar-se da necessidade doentia de querer ser desejado, idolatrado, pretensiosamente: amado...

Confrontado entre escolher os saduceus ou os fariseus, Cristo foi taxativo: 1. Meu Reino não é desse mundo, 2. Dai a Deus o que é de Deus, e a César o que é de César...


Se é a César que vocês escolhem, se é servir ao homem minúsculo, pequeno e rígido de conceitos, então se é aos saduceus ou aos fariseus, pouco importa suas escolhas, pois é se ver, se olhar na face de um falso Outro, maligno em seu contraste resultante que o desejo aponta, é a face de Mamom (como conjunto dos extremos que se tocam).


Mas se é a Deus que se interessa o Olhar, se ao Cristo que comanda o passo a dar, o direcionamento ao grande H, em contraposto ao pequeno eu e seu medo atávico de sonhar, um sonho bom e alegre, que desponte o melhor a ser dado e oferecido em cerimônia, celebrar-se-á! Um dia, assim será...


Mas, largue tudo e siga-me assim... como um novo sonho, também bom, de Caminhos claros e transparentes em suas intenções consolidadas, que te levam a sonhar mais alto nas alturas que os téus pés alcancem os chãos, para que você não caia, não desanime perante às dificuldades e tropeços necessários no trajeto... Afinal, você ainda tem os pés pequenos e andar vacilante, tem medo e sofre muito, por receio de ser e se reencontrar: Comigo...


Comigo quem? O Deus em seu interior, aquele que habita em ti, o Reino, a transformação plena que se processa nas cavernas ocultas longe de todo tipo de vaidade, ou vã competição, naquele lugar sagrado, o templo interno, que só a ti compete conhecer e desvendar...


Então, criatura, se conheça! Afastando os véus escuros da ignorância e da falsa sapiência, dos doutos doutores da lei corrompida humana, daqueles que se venderam por pó, a poeira da estrada, que comem do asfalto quente e seco e remoem as dores e culpas infligidas a outros comparsas de passados sombrios.


O Cristo renasce em seu interior, quem tem olhos que se veja, e ouvidos que se ouça...Pois da boca, pouco se fala, e dela nada se sabe; é necessário escutar a voz no cerne da essência, na morada do coração, onde o Deus habita e se revela, todos os dias...


Para quem não tem medo de se ver e de Ser.


Grato ao amigo(a) que se espelha não no lago de Narciso, mas no escuro da essência, por detrás dos véus do esquecimento, mas perto, bem perto, do “cor-ação”...


Que assim seja.


Jorge C. Neves

25/10/2024

Um Conto de Desespero

  Me chamam de Desespero, você precisa de mim, me ama, me chama e me clama, Mas eu poderia não existir assim, você pede por minha angústia...